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C.Caç. 2381 - OS MAIORAIS




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… E CINQUENTA E UM ANOS JÁ SE FORAM!

Parece que foi ontem, mas já lá vão cinquenta e um anos de vida. A nossa chegada a Bissau deu-se a 6 de Maio de 1968. sabemos que pelo menos 37 dos nossos já partiram para a outra vida. Muitos, nunca dram sinal de vida, o que é compreensível, pois a guerra deixou-nos marcas dolorosas difíceis de apagar; alguns, já não se sentem com coragem para "fazerem" os quilómetros que nos separam, para se juntarem a nós neste dia de convívio anual, outros, a doença que os corrói impede-os de se juntarem a nós. Mas ainda há alguns, muitos, que aí estão todos os anos para o fraternal abraço, dois dedos de conversa e um almoço bem servido.

Desta vez, paramos na Quinta do Codorno, nos arredores de Alenquer. estava um lindo dia de sol, um dia propício para trinta e três Maiorais e suas famílias num total de 73 convivas, se juntarem  para conviverem e marcar novo encontro para o ano que vem.

Em 2020 comemoramos cinquenta anos de regresso, que se concretizou no dia 9 de Abril de 1970

O Encontro comemorativo será no mesmo local, ou seja, na Quinta do Codorno em Alenquer, no dia 18 de Abril de 2020.

Contamos com o esforço de todos os Maiorais que têm resistido ao tempo para estarem presentes com o seu grito de vida

José Teixeira(Enf)


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MAIORAIS QUE NOS DEIXARAM

NÃO REGRESSARAM


- Luís Rodrigues Franco


- Mário da Conceição Caixeiro


- Albino Carneiro Oliveira


 


CAMARADAS QUE JÁ PARTIRAM PARA O ETERNO ACAMPAMENTO:


Joaquim de Sousa Barbosa


José Man. Ferreira S.Viana (Fur.)


Adelino de Sousa Costa


Agostinho Araújo Carvalho


Carlos Manuel Castelo Dias


João Luís Almeida Caliça


António Delfim de Carvalho


António J. Salvaterra Bernardo


Eliseu da Conceição Caetano


Feliciano Vieira Henriques


Francisco Tavares Carvalho


Ilídio Lopes Alves


João Ramiro Cardoso Figueiredo


José Agostinho António


Vítor Manuel Conceição Honorato


Luís José Campos Silva


Armando Vitorino Pinheiro


Armando Martins Filipe


Diamantino Arsénio Amaral


Fernando Pinheiro Monteirinho (Sarg.)


José Manuel Jesus Pedro (fur.)


Moisés de Jesus Marques


Manuel Vieira Godinho


Nuno José Pereira dos Santos


Frankelim Arménio  Costa


Leonel Antunes Valente


Abílio Manuel Almeida Gramatinha


Agostinho António Pereira


Alberto da Cruz Gomes


António Augusto Ferreira Xico


Bartolomeu Rito Loureiro


Luis Alves Ferreira


Luis Rodrigues Franco


Manuel António Oliveira Franco


Vitor Alves Pires


O ALFERES BARBOSA Um grande companheiro de guerra. Um grande amigo dos homens que comandou. A sua grande preocupação era o bem estar do seu pessoal e o regresso de todos os que partiram no Niassa, com destino à Guiné. Tive o prazer de o conhecer na quinzena de campo. O famoso I.A.O. sigla que ainda hoje não sei decifrar, mas que todos os mobilizados para a guerra, tinham de fazer. O Comandante de campo, o tristemente famoso Capitão S. Martinho, não fazia parte dos mobilizados e que há muito saiu do baú da minha memória, por não merecer lá estar, era de trato rude e de uma exigência inqualificável, para quem dentro de dias ia ser “carne para canhão”. Numa das acções que decidiu promover, foi uma operação de 24 horas de marcha contínua carregados como se estivéssemos no teatro de guerra, parte dela passada dentro de um riacho. O Barbosa lá seguiu a comandar os três grupos de combate, “esqueceu-se do riacho” e como altas horas da noite, nos sentisse cansados e gelados (estávamos em Março), ao deparar com uma fábrica de cerâmica, com pilhas de lenha seca para aquecer os fornos, o nosso amigo e comandante Barbosa, não hesitou em dar ordem para estacionarmos e num ápice apareceram algumas fogueiras. Creio que quase ninguém conseguiu dormir, mas pelo menos o frio foi combatido e afastado Manhã cedo, lá partimos de novo e quando nos preparávamos para regressar ao acampamento, aparece-nos (de jeep), o comandante. Uma repreensão verbal e violenta ao Barbosa em frente dos seus homens e uma ordem para voltarmos para trás e fazermos o caminho pelo riacho, sem ração alimentar, esgotados e anímicamente destruídos. O Barbosa, não escapou a um castigo regulamentar que o impediu de vir gozar à Metrópole um merecido mês de descanso. Na Guiné tornou-se o ídolo dos homens do grupo de combate que comandava, o 1º Pelotão e de toda a Companhia. A preocupação pelo bem estar, de todos, a relação pessoal que conseguiu manter, em que conseguia ser mais um do grupo, sem deixar de ser o Alferes Barbosa, na missão que exercia, granjeou a amizade e a admiração da rapaziada da Companhia. Após o regresso tive o grato prazer de conviver com ele e sua família bons momentos da vida. Sempre o mesmo espírito. Homem de carácter, aberto, franco e leal. Um verdadeiro amigo. Daqueles que se dá tudo para não perder. Em conjunto revivemos muitos pormenores da guerra que ambos não quisemos fazer e que nos marcou tanto. Em conjunto, sonhamos, planeamos e organizamos os primeiros convívios da Companhia. Nunca quis que o nome dele aparecesse na organização. Todos os anos lá estava. Foi o único Alferes que nunca faltou. Dos outros, reza a história que só um aparece de vez em quando. Há anos uma doença grave começou a roer-lhe a vida. Detectou, em sequência de uma queda na banheira em que a ferida se recusava a cicatrizar. Estava diabético. Iniciou então uma luta contra a morte, mas a diabetes teimava em progredir. Em poucos anos, teve de cortar um pé, depois a perna e depois iria o outro pé. Já estava no Hospital à espera de ser operado, quando a morte o visitou e afastou do nosso convívio. Paz à sua alma. À Olímpia, sua esposa e amiga tão querida quero dedicar este memorial e dizer-lhe que o seu “Quim” está no nosso coração de Maiorais. Muito há para escrever sobre este grande camarada. Aqui fica o desafio. Quem vai ser o primeiro ?

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